Polissonografia: o exame do sono completo

Postado em: 10/03/2026

Polissonografia: o exame do sono completo

A polissonografia é o exame padrão-ouro para avaliação completa do sono, indicado principalmente na investigação de apneia do sono, ronco persistente, sonolência excessiva diurna, insônia e outros distúrbios respiratórios noturnos. Trata-se de um estudo detalhado que monitora múltiplas funções do organismo enquanto o paciente dorme, permitindo um diagnóstico preciso e individualizado. 

A polissonografia é recomendada para adultos, idosos e também crianças com suspeita de alterações do sono. Neste artigo, você entenderá como o exame é realizado, como se preparar, quais parâmetros são avaliados e como ocorre a interpretação dos resultados. Tenha uma boa leitura!

O que é a polissonografia?

A polissonografia é um exame diagnóstico que registra simultaneamente diversas variáveis fisiológicas durante o sono, permitindo analisar sua qualidade, estrutura e possíveis alterações respiratórias ou neurológicas. O termo vem do grego: “poli” (múltiplos), “sono” (sono) e “grafia” (registro).

Também chamada de exame do sono ou estudo do sono, a polissonografia é fundamental na investigação da apneia obstrutiva do sono, condição associada a pausas respiratórias, queda da oxigenação e fragmentação do sono. 

Diretrizes internacionais, como as da American Academy of Sleep Medicine (AASM), reconhecem a polissonografia como método padrão para diagnóstico desses distúrbios. Ela pode ser realizada em ambiente hospitalar ou, em casos selecionados, de forma domiciliar.

Qual a diferença entre polissonografia em laboratório e domiciliar?

A polissonografia em laboratório é feita durante uma noite em ambiente monitorado, com registro completo de sinais neurofisiológicos e respiratórios. 

Já a versão domiciliar é feita com a utilização dos devidos equipamentos em casa. Ela é indicada principalmente para casos com alta suspeita de apneia do sono em adultos, avaliando parâmetros respiratórios específicos. 

A escolha depende do quadro clínico e deve ser individualizada.

Como é feito o exame de polissonografia?

A polissonografia é realizada durante o sono noturno, com monitorização multiparamétrica não invasiva. 

O paciente dorme em ambiente preparado, enquanto sensores registram dados fisiológicos em tempo real.

Durante a polissonografia, são registrados os seguintes parâmetros fisiológicos:

  • Atividade cerebral (eletroencefalograma – EEG);
  • Movimentos oculares;
  • Tônus muscular;
  • Fluxo aéreo nasal e oral;
  • Movimentos torácicos e abdominais;
  • Saturação de oxigênio;
  • Frequência cardíaca;
  • Posição corporal.

O exame é indolor e não invasivo. Os sensores são fixados com adesivos específicos e não impedem os movimentos naturais durante o sono. 

A segurança é elevada, e o paciente permanece acompanhado por equipe treinada durante todo o período de registro.

Como se preparar para a polissonografia?

A preparação é simples, mas influencia diretamente na qualidade do registro do sono.

Para garantir a qualidade da polissonografia, recomenda-se:

  • Evitar álcool no dia do exame;
  • Reduzir consumo de cafeína no período da tarde e noite;
  • Manter rotina habitual de sono;
  • Informar uso de medicamentos contínuos;
  • Levar itens pessoais que auxiliem no conforto.

Essas orientações ajudam a reproduzir um padrão de sono mais próximo do habitual, evitando interferências externas que possam alterar o resultado. 

Em casos específicos, o médico pode fornecer recomendações adicionais individualizadas. Lembre-se de conferir com seu médico se há recomendações específicas para você!

Quais parâmetros a polissonografia avalia?

A polissonografia permite uma análise detalhada da arquitetura do sono e dos eventos respiratórios.

Os estágios do sono são divididos em N1, N2, N3 e REM. Cada fase possui características distintas e desempenha papel importante na recuperação física e cognitiva. Alterações na distribuição dessas fases podem indicar fragmentação do sono.

O Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) mede o número de pausas respiratórias por hora de sono e é utilizado para classificar a apneia como leve, moderada ou grave.

A dessaturação de oxigênio indica quedas na oxigenação sanguínea associadas a eventos respiratórios.

Os microdespertares correspondem a interrupções breves do sono, muitas vezes não percebidas pelo paciente, mas que reduzem sua qualidade.

A eficiência do sono avalia o tempo efetivamente dormido em relação ao tempo total de permanência no leito.

Também podem ser identificados movimentos periódicos de membros, que fragmentam o sono e geram fadiga diurna.

Essa análise integrada é essencial para direcionar o tratamento adequado.

Como é feita a interpretação do resultado?

A interpretação da polissonografia deve ser realizada por médico com formação em Medicina do Sono

O laudo técnico é correlacionado com os sintomas, histórico clínico e exame físico do paciente.

A classificação da apneia obstrutiva do sono baseia-se principalmente no IAH. Casos leves podem responder a medidas comportamentais, perda de peso e dispositivos intraorais. 

Quadros moderados e graves frequentemente exigem tratamento com CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas).

Em situações selecionadas, procedimentos cirúrgicos como septoplastia, cirurgia nasal ou faringoplastia podem ser indicados. 

A decisão é sempre individualizada, considerando anatomia, gravidade e perfil clínico.

Dúvidas frequentes sobre polissonografia

Agora que você conhece melhor esse exame, confira respostas a dúvidas comuns entre pacientes, para ter ainda mais clareza e tranquilidade na sua vez de passar por essa avaliação!

A polissonografia precisa de internação?

Não. O exame é realizado durante uma noite de monitorização, mas não caracteriza internação hospitalar tradicional. O paciente retorna às suas atividades no dia seguinte.

Crianças podem fazer polissonografia?

Sim. A polissonografia é indicada para crianças com ronco persistente, respiração bucal, déficit de atenção ou suspeita de apneia do sono, por exemplo. O protocolo é adaptado à faixa etária.

Quem ronca sempre precisa fazer o exame?

Nem todo ronco exige polissonografia, mas quando está associado a pausas respiratórias, sonolência excessiva ou doenças cardiovasculares, a investigação é recomendada.

A polissonografia detecta todos os distúrbios do sono?

Ela é considerada o exame mais completo para distúrbios respiratórios do sono e alterações motoras noturnas, mas alguns quadros específicos podem exigir avaliações complementares.

Conclusão 

A polissonografia é o exame mais completo para diagnosticar distúrbios respiratórios e alterações da qualidade do sono, permitindo tratamento direcionado e seguro. Quando indicada corretamente, ela contribui para reduzir riscos cardiovasculares, melhorar desempenho cognitivo e restaurar a disposição diária.

O Dr. Pedro Magliarelli, médico formado pela USP, com residência, preceptoria e doutorado em Otorrinolaringologia e Medicina do Sono, oferece avaliação individualizada e abordagem investigativa aprofundada. Com atuação no Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e em hospitais de referência como Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Rede D’Or, o atendimento integra excelência técnica e cuidado centrado no paciente.

Se você apresenta ronco, sonolência excessiva ou suspeita de apneia, agende uma consulta e avalie a necessidade de realizar sua polissonografia com acompanhamento especializado!

Dr. Pedro Augusto Magliarelli Filho
Otorrinolaringologista
Registro CRM-SP 139773 | RQE 139773


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