Nasofibroscopia: como é feita e para que serve
Postado em: 08/09/2026
Nariz entupido de um lado só que não melhora, rouquidão que se arrasta por semanas, sensação de secreção pingando na garganta, ronco que já virou motivo de reclamação em casa. São queixas comuns no consultório, e o exame físico simples nem sempre explica o que está por trás delas.
Sou Pedro Magliarelli, otorrinolaringologista (CRM 139773/SP, RQE 84998), e é justamente nesses casos que recorro a um exame rápido e objetivo: a nasofibrolaringoscopia, também chamada de nasofibroscopia.
Neste texto, explico o que esse exame mostra, quando eu peço, como costuma ser feito e o que esperar da sensação durante o procedimento.
O que é a nasofibrolaringoscopia e no que ela difere da endoscopia rígida?
A nasofibrolaringoscopia é um exame endoscópico feito com uma câmera fina e flexível, que entra por uma das narinas e percorre, em tempo real, o nariz, a nasofaringe, a orofaringe e a laringe, onde ficam as cordas vocais.
Ela costuma ser confundida com a endoscopia nasal rígida, mas são instrumentos diferentes. O endoscópio rígido enxerga melhor as estruturas mais próximas da entrada do nariz, como cornetos e meatos, e é usado sobretudo em investigações de sinusite e pólipos.
Já o fibroscópio flexível avança mais fundo, sem forçar trajeto reto, e por isso alcança também a garganta e a laringe, o que o torna a ferramenta certa quando a queixa envolve voz, deglutição ou vias aéreas mais baixas.
A nasofibrolaringoscopia não trata nenhuma condição, apenas mostra o que está por trás dos sintomas relatados. Depois do exame, ainda preciso reunir os achados à história clínica e, quando necessário, a exames de imagem, antes de indicar qualquer conduta clínica ou cirúrgica.
Quando eu peço uma nasofibrolaringoscopia?
Peço o exame quando a queixa persiste e o exame físico de consultório não fecha o diagnóstico sozinho. As situações mais comuns em que ele entra no meu raciocínio incluem:
- Rouquidão que passa de três semanas, para avaliar diretamente as cordas vocais;
- Sinais sugestivos de refluxo laringofaríngeo, como pigarro constante e voz pior pela manhã;
- Investigação de ronco e suspeita de apneia, para mapear pontos de estreitamento das vias aéreas;
- Sensação de corpo estranho na garganta ou engasgos frequentes ao engolir;
- Obstrução nasal persistente, especialmente quando há suspeita de pólipos nasais mais posteriores;
- Avaliação pré-operatória, antes de cirurgias nasais ou de vias aéreas.
Vale procurar avaliação otorrinolaringológica quando a rouquidão passa de três semanas sem melhora, quando o nariz entope de um lado só e não alivia, quando há sensação constante de secreção escorrendo para a garganta ou quando o ronco vem acompanhado de pausas respiratórias percebidas por quem dorme ao lado.
Como é feita a nasofibrolaringoscopia?
O exame é feito no próprio consultório, com o paciente sentado. Aplico um anestésico tópico em spray na narina escolhida, para reduzir o desconforto da passagem do aparelho, e às vezes um vasoconstritor, para abrir um pouco mais espaço.
Depois disso, introduzo o fibroscópio devagar, acompanhando a imagem em uma tela em tempo real. Passo pelo nariz, pela nasofaringe, desço até a orofaringe e chego à laringe, pedindo para o paciente falar, respirar fundo ou fazer pequenos sons durante a passagem, o que ajuda a avaliar a mobilidade das cordas vocais.
O procedimento inteiro dura poucos minutos. Não exige sedação, jejum ou internação, e o paciente costuma voltar à rotina normal logo depois.
A nasofibrolaringoscopia dói?
Não costuma doer, mas pode incomodar. A maioria dos pacientes relata uma sensação de pressão ou de cócegas na passagem pelo nariz, e algumas pessoas sentem vontade de tossir ou engasgar levemente quando o aparelho se aproxima da garganta, principalmente se há reflexo de vômito mais sensível.
O anestésico tópico reduz bastante essa sensibilidade. Em geral, o desconforto passa assim que o exame termina, sem sequelas. Também costumo fazer o exame em crianças, com a mesma técnica adaptada ao tamanho e à colaboração de cada uma.
O que dá para ver durante o exame?
A imagem ampliada revela detalhes que o exame físico simples não alcança. No nariz e na nasofaringe, consigo identificar pólipos, hipertrofia de cornetos, secreção de sinusite e, em crianças, o tamanho da adenoide.
Na orofaringe e na laringe, avalio a mobilidade das cordas vocais, sinais de refluxo, nódulos, lesões suspeitas e pontos de estreitamento das vias aéreas que ajudam a entender o ronco.
Esses achados orientam a conduta seguinte, que pode envolver desde ajuste de medicação e acompanhamento com fonoaudiologia até indicação cirúrgica, dependendo do que for encontrado.
Preciso de preparo especial antes do exame?
Não é necessário jejum, já que não há sedação. Peço que o paciente me avise sobre uso contínuo de medicamentos, histórico de sangramento nasal frequente e uso recente de spray nasal sem orientação médica, porque isso pode interferir na avaliação da mucosa. Também é importante informar alergia a anestésicos locais, ainda que seja pouco comum.
Perguntas frequentes sobre nasofibrolaringoscopia
Nasofibrolaringoscopia é a mesma coisa que laringoscopia?
São parecidas, mas não idênticas. A laringoscopia foca na laringe e nas cordas vocais. A nasofibrolaringoscopia usa o mesmo tipo de aparelho flexível, só que percorre um trajeto mais longo, do nariz até a laringe, e por isso entrega uma visão mais completa das vias aéreas superiores.
O resultado sai na hora?
A imagem é vista ao vivo, então já converso com o paciente sobre os achados logo após o exame. Quando há necessidade de registrar imagens ou vídeo para acompanhamento, ou de correlacionar com outros exames, o laudo detalhado pode levar um pouco mais de tempo.
Toda rouquidão precisa de nasofibrolaringoscopia?
Não. Rouquidão depois de um resfriado costuma melhorar sozinha em até duas semanas. O exame entra em cena quando a alteração da voz persiste além disso, se repete com frequência ou vem acompanhada de outros sinais, como dor ou dificuldade para respirar.
Sobre o Dr. Pedro Magliarelli
Pedro Augusto Magliarelli Filho é otorrinolaringologista, CRM 139773/SP, RQE 84998, formado pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação também em Medicina do Sono.
Atende no Jardim Paulista, no Campo Belo e na Vila Mariana (Hospital Israelita Albert Einstein), e realiza a nasofibrolaringoscopia no próprio consultório como parte da investigação de queixas de nariz, garganta e voz.
Se você tem sintomas persistentes de rouquidão, obstrução nasal, ronco ou sensação de corpo estranho na garganta, agende uma consulta para avaliar se o exame é indicado no seu caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica presencial.
Dr. Pedro Augusto Magliarelli Filho
Otorrinolaringologista
Registro CRM-SP 139773 | RQE 139773