Polissonografia: como é feito o exame do sono e quando é indicada
Postado em: 11/08/2026

Dormir a noite toda e ainda acordar cansado é um sinal que merece atenção. Ronco frequente, pausas na respiração, despertares recorrentes e sonolência durante o dia podem estar relacionados a alterações que prejudicam a qualidade do sono.
A polissonografia é um exame realizado durante o período de descanso que registra diferentes funções do organismo, como atividade cerebral, respiração, oxigenação do sangue, frequência cardíaca e movimentos musculares. Esses dados ajudam a identificar manifestações que podem passar despercebidas durante a noite.
Neste artigo, você vai entender como é feita a polissonografia, quando ela é recomendada, o que o laudo pode revelar e quais são os próximos passos após o exame.
O que é polissonografia e para que serve?
A polissonografia é um exame que registra simultaneamente diversos parâmetros fisiológicos durante o sono.
Enquanto o paciente dorme, sensores captam informações sobre a atividade cerebral, os movimentos dos olhos e dos músculos, a respiração, a oxigenação, os batimentos cardíacos e a posição do corpo. Esses dados ajudam a identificar alterações que podem fragmentar o sono ou interferir na respiração.
O que é monitorado durante a polissonografia?
Durante o exame, os principais registros incluem:
- Atividade cerebral, por meio do eletroencefalograma (EEG), para identificar os estágios do sono;
- Movimentos oculares, importantes para identificar o sono REM;
- Atividade muscular, especialmente na região do queixo e das pernas;
- Fluxo de ar pelo nariz e pela boca;
- Esforço respiratório no tórax e no abdômen;
- Saturação de oxigênio no sangue;
- Frequência cardíaca;
- Posição corporal durante o sono;
- Presença e intensidade do ronco.
A combinação desses dados permite avaliar a arquitetura do sono e identificar alterações respiratórias e de movimentos que podem passar despercebidas durante a vigília.
Quais alterações podem ser identificadas?
A polissonografia é utilizada principalmente na investigação de apneia obstrutiva do sono e apneia central do sono, além de outros distúrbios respiratórios e alterações relacionadas aos movimentos durante o sono.
O exame também pode contribuir para investigar outras condições, dependendo da suspeita clínica. Por isso, os achados devem ser interpretados em conjunto com os sintomas e o histórico de cada paciente.
Quando a polissonografia é indicada?
A indicação depende de uma avaliação médica que considere os sintomas, o histórico clínico e a suspeita de um distúrbio do sono. Nem todo ronco exige uma polissonografia, mas alguns sinais justificam uma investigação mais detalhada.
Quais sintomas merecem atenção?
- Ronco frequente ou intenso;
- Pausas respiratórias observadas durante o sono;
- Acordar engasgado ou com sensação de sufocamento;
- Sonolência excessiva durante o dia;
- Dor de cabeça recorrente ao acordar;
- Cansaço persistente ou dificuldade de concentração;
- Alterações no rendimento profissional ou escolar associadas à má qualidade do sono.
Quem pode precisar de investigação?
A avaliação pode ser especialmente importante em pessoas com fatores associados a maior risco de distúrbios respiratórios do sono, como obesidade, hipertensão de difícil controle, fibrilação atrial e diabetes tipo 2.
Em crianças, sintomas como ronco persistente, pausas respiratórias e aumento das amígdalas também podem justificar investigação. A indicação do exame deve ser individualizada.
Como é feita a polissonografia?
Na polissonografia em laboratório, o paciente chega ao serviço no início da noite e recebe os sensores que serão utilizados durante o registro. Eles são posicionados em regiões como cabeça, rosto, tórax, abdômen e pernas.
Depois da preparação, o paciente dorme no laboratório enquanto os equipamentos registram os parâmetros durante a noite. Pela manhã, os sensores são retirados e, em geral, é possível retomar as atividades habituais.
O exame é supervisionado e permite uma avaliação detalhada dos estágios do sono, da respiração e de outros parâmetros fisiológicos.
A polissonografia dói?
Não. A polissonografia não é invasiva e não provoca dor. Os sensores são fixados à pele com materiais próprios para o exame.
Pode haver algum estranhamento por causa dos fios e equipamentos, principalmente na primeira noite, mas isso não impede necessariamente que o paciente durma.
Quanto tempo dura?
O registro é realizado durante o período de sono, geralmente ao longo de uma noite. A duração efetiva pode variar conforme o protocolo utilizado e a qualidade do registro obtido.
Por isso, é recomendável manter, sempre que possível, a rotina habitual de sono nos dias anteriores ao exame.
Quais são os tipos de exame do sono?
A modalidade mais adequada depende da suspeita clínica e das características de cada paciente.
Polissonografia em laboratório
É o exame completo e supervisionado, realizado em um laboratório do sono. Registra diversos parâmetros fisiológicos e permite avaliar os estágios do sono, a respiração, os movimentos e outros aspectos relevantes.
É especialmente importante quando existe dúvida diagnóstica, suspeita de outros distúrbios do sono ou condições que tornam inadequado um teste mais simples.
Teste domiciliar para apneia do sono
O teste domiciliar para apneia do sono é realizado em casa com um equipamento portátil que registra principalmente parâmetros relacionados à respiração e à oxigenação.
Ele pode ser uma alternativa à polissonografia em adultos selecionados com alta probabilidade de apneia obstrutiva do sono moderada a grave, desde que não apresentem determinadas condições que possam comprometer a precisão do teste.
Como registra menos informações do que a polissonografia, não é adequado para todos os pacientes. Além disso, um resultado negativo, inconclusivo ou tecnicamente inadequado pode exigir a realização de uma polissonografia.
Como se preparar para a polissonografia?
O preparo costuma ser simples, mas alguns cuidados ajudam a garantir um registro adequado.
O que fazer no dia do exame?
- Evitar o consumo excessivo de cafeína, como café, chá e refrigerantes;
- Não ingerir bebidas alcoólicas;
- Lavar o cabelo e evitar cremes ou condicionadores que dificultem a fixação dos sensores;
- Manter, sempre que possível, os horários habituais de sono e alimentação;
- Levar os medicamentos de uso contínuo, quando solicitado pelo serviço.
É preciso suspender medicamentos?
Não suspenda nenhum medicamento por conta própria. A necessidade de interromper ou manter determinado produto deve ser definida pelo médico responsável pelo exame.
Informe à equipe todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos utilizados. Essas informações podem ser relevantes para a interpretação dos resultados.
Como entender o laudo da polissonografia?
O laudo reúne diversas informações técnicas que precisam ser interpretadas em conjunto com os sintomas e o histórico clínico. Conhecer alguns dos principais termos, entretanto, pode facilitar a compreensão do resultado.
O que é o Índice de Apneia e Hipopneia (IAH)?
O IAH indica o número médio de apneias e hipopneias por hora de sono. Em adultos, de forma geral, os valores podem ser classificados como:
- Normal: menos de 5 eventos por hora;
- Leve: de 5 a 14 eventos por hora;
- Moderado: de 15 a 29 eventos por hora;
- Grave: 30 ou mais eventos por hora.
Essas faixas são referências gerais. A interpretação não deve considerar apenas o IAH, mas também sintomas, oxigenação, idade, condições de saúde e outros dados do exame.

O que significa dessaturação de oxigênio?
A dessaturação de oxigênio corresponde à queda da saturação de oxigênio no sangue durante o sono. O laudo pode apresentar a frequência e a duração dessas quedas.
Esse dado é importante na avaliação dos distúrbios respiratórios do sono, mas deve ser analisado em conjunto com os demais resultados.
O resultado define o tratamento?
Não necessariamente. O médico considera o IAH, a oxigenação, os sintomas, as características anatômicas e outros aspectos clínicos antes de definir a conduta.
Dependendo do diagnóstico, podem ser indicados CPAP, aparelhos intraorais, medidas comportamentais ou, em casos selecionados, tratamento cirúrgico.
O que fazer depois da polissonografia?
O resultado deve ser discutido em uma consulta de retorno com o médico que solicitou o exame ou com um especialista em medicina do sono.
Nessa avaliação, os dados do laudo são relacionados aos sintomas, ao histórico clínico e ao exame físico. A partir dessa análise, é possível confirmar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado.
FAQ: perguntas frequentes sobre polissonografia
Precisa de pedido médico?
A necessidade de pedido médico pode variar conforme o serviço e a finalidade do exame. Além disso, a avaliação médica é essencial para determinar qual modalidade é mais adequada.
Quanto tempo demora para sair o resultado?
O prazo varia de acordo com o serviço. O laudo depende da análise dos registros obtidos durante a noite e pode levar alguns dias para ser concluído.
Crianças podem fazer polissonografia?
Sim. A polissonografia pode ser indicada para crianças com suspeita de distúrbios respiratórios do sono, como apneia obstrutiva do sono. A interpretação segue parâmetros específicos para a faixa etária.
E se eu não conseguir dormir durante o exame?
É comum dormir de maneira diferente da habitual em um laboratório do sono. A equipe avalia a qualidade do registro e verifica se os dados obtidos são suficientes para a interpretação. Quando necessário, o médico pode recomendar uma nova investigação.
Quando procurar um especialista em medicina do sono?
Ronco frequente, pausas na respiração, sonolência excessiva durante o dia e alterações identificadas na polissonografia merecem avaliação.
O Dr. Pedro Magliarelli, otorrinolaringologista com doutorado em Distúrbios Respiratórios do Sono pela USP, realiza uma investigação individualizada dos distúrbios do sono, considerando os sintomas, os resultados dos exames e as características de cada paciente.
Se você apresenta esses sinais ou recebeu um resultado alterado, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer o diagnóstico e definir os próximos passos.
Dr. Pedro Augusto Magliarelli Filho
Otorrinolaringologista
Registro CRM-SP 139773 | RQE 139773