Nariz sempre entupido, dor na face que vai e volta, espirros em sequência, sangramentos que assustam. Quando algo assim aparece, respirar deixa de ser automático e a rotina muda.
Nesta página, explico como avalio e trato as doenças do nariz no consultório, quais sinais merecem atenção, quais exames fazem diferença e quando considerar cirurgia.
Principais doenças que afetam o nariz
O nariz é passagem de ar, filtro e “condicionador” da respiração. Quando inflama ou quando a anatomia atrapalha o fluxo, surgem sintomas como congestão, secreção, perda do olfato e dor facial.
No consultório, organizo a avaliação em duas frentes: doenças inflamatórias (rinite e rinossinusites) e condições estruturais (desvio de septo, conchas nasais aumentadas e pólipos). Há ainda as lesões nasais, de benignas a malignas, que exigem olhar atento.
Sinusite, rinite, desvio de septo, pólipos e tumores nasais
Rinite: inflamação da mucosa nasal. Pode ser alérgica (poeira, ácaros, pelos de animais, pólen) ou não alérgica (mudanças de temperatura, cheiros fortes, variações hormonais). Sinais principais: espirros, coceira, coriza clara e nariz entupido. Rinite mal controlada piora o sono, favorece ronco e abre espaço para sinusites.
SAIBA MAIS SOBRE RiniteRinossinusite (Sinusite): quando a inflamação atinge os seios da face, surgem dor/pressão na face, secreção mais espessa, piora do olfato e sensação de peso na cabeça. Pode ser aguda (pós-resfriado), recorrente (vários episódios ao ano) ou crônica (sintomas por mais de 12 semanas).
SAIBA MAIS SOBRE SinusiteDesvio de septo: o septo é a “parede” que separa as narinas. Quando desvia, o ar encontra resistência de um lado (ou dos dois), e o entupimento vira regra. O desvio pode piorar ronco, apneia do sono e a qualidade do exercício físico.
SAIBA MAIS SOBRE Desvio de SeptoPólipos nasais: são crescimentos moles da mucosa, geralmente associados a inflamação crônica. Dão entupimento persistente, queda de olfato e sensação de secreção que não resolve. Em muitos casos, respondem bem a corticoides tópicos; em casos refratários, a cirurgia endoscópica remove o tecido doente e amplia os canais de drenagem. Em cenários específicos, discutimos biológicos.
SAIBA MAIS SOBRE Pólipos nasaisTumores nasais: a maioria das lesões internas é benigna (papilomas, hemangiomas), mas há tumores malignos que exigem diagnóstico precoce. Sinais de alerta: sangramento unilateral recorrente, ferida que não cicatriza, dor facial persistente, alteração visível no interior do nariz.
SAIBA MAIS SOBRE Tumores nasaisSintomas que indicam problemas no nariz
Sintoma isolado pode ser passageiro; o que chama atenção é a persistência, a recorrência e a associação com outros sinais (dor facial, perda do olfato, secreção amarelada/verdosa, sangramentos).
Congestão, dor facial, espirros e sangramento nasal
Congestão (nariz entupido): quando é constante ou piora à noite, penso em rinite, desvio de septo e pólipos. Entupimento que alterna lados a cada algumas horas costuma ser rítmico da rinite; entupimento sempre do mesmo lado levanta a hipótese de desvio ou lesão local.
Dor/pressão na face: dor que piora ao abaixar a cabeça e sensação de peso nas maçãs do rosto/testa sugerem sinusite. Dor que migra com o lado obstruído e melhora com sprays aponta mais para rinite. Também avalio dentes (raiz de molares superiores) e ATM quando a dor não segue padrão clássico.
Espirros e coriza: sequências de espirros e coriza clara são típicas de rinite alérgica. Coriza espessa e amarelada/verdosa, acompanhada de dor facial e queda de olfato, sugere rinossinusite.
Sangramento nasal (epistaxe): sangramentos leves e esporádicos costumam vir de ressecamento, rinite, trauma de coçar/assoar. Sangramento repetido sempre do mesmo lado, em jato, com crostas que não somem, pede endoscopia para ver exatamente de onde o sangue sai.
Queda do olfato: olfato reduzido acompanha rinite, sinusite e pólipos. Quando o olfato cai, o paladar parece “sem graça”; tratar a causa costuma devolver boa parte dessa percepção.
Sinais de alerta: febre alta com dor facial intensa, secreção com mau cheiro persistente, sangramento que não estanca após compressão correta, alteração visível dentro do nariz, dor de cabeça muito forte e assimétrica, inchaço ao redor dos olhos. Esses quadros pedem avaliação sem demora.
Como é feita a investigação médica das doenças do nariz
A consulta começa pela história: tempo dos sintomas, gatilhos (pó, cheiros, clima), impacto no sono, número de crises no ano, relação com resfriados. Depois, examino por fora e por dentro, com endoscopia nasal quando indicado. Os exames complementares entram para responder perguntas, não por rotina.
Endoscopia nasal, exames de imagem e teste alérgico
Endoscopia nasal: é um exame rápido, feito no consultório, com câmera fina e anestesia tópica. Permite ver septo, conchas nasais, meato médio (por onde os seios da face drenam), presença de secreção, pólipos e pontos de sangramento. Mostro as imagens para você entender o que está acontecendo.
Exames de imagem: tomografia de seios da face é o padrão quando preciso avaliar detalhes anatômicos e extensão da rinossinusite crônica ou planejar cirurgia endoscópica. Ressonância é reservada a casos específicos (avaliação de lesões, complicações, tumores). Não peço imagem para todo mundo.
Teste alérgico: em suspeita de rinite alérgica, converso sobre teste cutâneo (prick test) ou dosagem de IgE específica. O objetivo é identificar alérgenos relevantes para orientar medidas de ambiente, ajustar sprays e, em casos selecionados, indicar imunoterapia (vacinas).
Avaliação integrada: nariz não trabalha sozinho. Quando há ronco/apneia, relaciono achados de nariz com garganta e discuto polissonografia. Em dor facial atípica, penso também em dente/ATM e, se necessário, integro com outras especialidades.
Opções de tratamento para doenças nasais
Prefiro linhas de cuidado: começamos com medidas simples, avaliamos resposta e só então subimos a “escada terapêutica”. Trato nariz e rotinas (sono, ambiente) ao mesmo tempo. A meta é controlar sintomas, reduzir crises e devolver qualidade de vida sem prometer milagres.
Medicamentos, imunoterapia e cirurgias funcionais
Medidas de base
- Lavagem nasal com solução salina: reduz secreção, remove alérgenos e melhora ação dos sprays.
- Ajustes de ambiente: capa antiácaro, ventilação adequada, reduzir poeira acumulada, orientar sobre animais de estimação dentro do quarto.
- Higiene do sono: regularidade de horário, evitar álcool perto da hora de dormir; quando há ronco/apneia, explico os próximos passos.
Sprays e medicamentos
- Corticoide nasal é pilar no tratamento de rinite e rinossinusite crônica. Uso a menor dose eficaz e oriento aplicação correta para evitar sangramentos.
- Anti-histamínicos ajudam em espirros e coceira em quadros alérgicos.
- Descongestionantes tópicos têm uso restrito (curto prazo) para evitar efeito rebote.
- Antibióticos entram em crises bacterianas com critérios (dor facial importante, secreção purulenta persistente, febre).
- Corticoide sistêmico é reservado a casos específicos (pólipos volumosos em crise), por tempo curto e com avaliação de risco/benefício.
Imunoterapia (vacinas): em rinite alérgica com impacto no dia a dia e resposta parcial às medidas de base, posso indicar imunoterapia. É um tratamento de médio prazo (meses a anos) que reduz a sensibilidade aos alérgenos relevantes. Discutimos prós, contras e logística antes de começar.
Cirurgias funcionais
- Septoplastia: corrige desvio de septo que causa obstrução significativa. Não muda a estética do nariz; o objetivo é fluxo de ar.
- Turbinatectomia/turbinoplastia: reduz conchas nasais aumentadas quando não respondem aos sprays.
- Cirurgia endoscópica dos seios da face (CENSF): remove pólipos e melhora a drenagem e ventilação em rinossinusite crônica refratária.
- Cauterização/fechamento de vasos para sangramento recorrente de ponto específico.
Cirurgia é recurso, não atalho. Indico quando a clínica falha e quando a anatomia bloqueia o avanço. O pós-operatório inclui lavagens e sprays para manter o ganho a longo prazo.
Quando procurar um otorrinolaringologista em São Paulo
Se você está em São Paulo e tem entupimento persistente, dor facial que se repete, secreção espessa por mais de 10–12 dias, perda do olfato, sangramentos recorrentes ou crises frequentes no ano, vale marcar consulta.
Como otorrinolaringologista, eu começo pela conversa, examino com endoscopia quando preciso e, a partir daí, proponho um plano prático. Em crianças, sinais como respiração bucal, ronco, sono agitado e infecções repetidas merecem olhar cedo.
Sinais de agravamento e complicações
Algumas situações pedem atenção imediata:
- Febre alta com dor facial importante e inchaço ao redor dos olhos.
- Sangramento nasal abundante que não para após compressão correta.
- Perda súbita do olfato fora de contexto de resfriado, com dor e secreção persistente.
- Dor de cabeça assimétrica e intensa associada a secreção purulenta unilateral.
- Crostas duras, feridas que não cicatrizam ou massa visível na cavidade nasal.
Nesses casos, eu priorizo avaliação para evitar complicações e definir o tratamento certo com rapidez.
Perguntas Frequentes
Geralmente, sim. Entupimento persistente aponta para rinite mal controlada, desvio de septo ou pólipos. O primeiro passo é organizar a avaliação: endoscopia, ajustes de medidas de base (lavagem e sprays) e, se houver obstrução estrutural importante, discutir cirurgia. O objetivo é devolver um fluxo de ar estável, sem depender de descongestionante diário.
Quando a clínica bem feita não resolve e quando a anatomia impede a melhora sustentada. É o caso de desvio de septo que mantém obstrução mesmo com tratamento, pólipos refratários a corticoide tópico e rinossinusite crônica que não responde a ciclos bem conduzidos de terapia. A decisão é compartilhada: explico opções, expectativas e cuidados do pós-operatório.
Não necessariamente. Muitos casos ficam bem controlados com combinação de cirurgia endoscópica (quando indicada) e tratamento clínico de manutenção (lavagens e corticoide nasal). Em perfis específicos, discuto biológicos. O segredo é seguir acompanhamento e manter rotina de cuidados para reduzir chance de recidiva.
Não. Existem rinites não alérgicas (vasomotora, induzida por irritantes, hormonal, medicamentosa por uso abusivo de descongestionantes). A história clínica e, quando necessário, teste alérgico ajudam a diferenciar. A boa notícia é que todas têm manejo possível.