Cirurgia para apneia do sono: quando é indicada e como funciona

Postado em: 25/08/2026

Cirurgia para apneia do sono: quando é indicada e como funciona

Acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono pode ser um sinal de que a respiração está sendo interrompida durante a noite. Na apneia obstrutiva do sono (AOS), o estreitamento ou colapso das vias aéreas provoca episódios repetidos de redução ou interrupção do fluxo de ar, fragmentando o sono e podendo afetar a saúde.

Quando alterações anatômicas contribuem para esse problema, a cirurgia para apneia do sono pode fazer parte do tratamento. A indicação é individualizada e considera a gravidade da apneia, os sintomas, a anatomia das vias aéreas, os resultados dos exames e a resposta a outras opções terapêuticas.

A seguir, você vai entender quando a cirurgia é recomendada, quais exames podem ser necessários, quais são os principais procedimentos, como funciona a recuperação e o que esperar dos resultados.

Quando a cirurgia para apneia do sono é indicada?

A indicação cirúrgica considera a combinação entre gravidade da apneia, sintomas, anatomia das vias aéreas e resposta aos tratamentos disponíveis. Ter apneia obstrutiva do sono não significa, por si só, que seja necessário operar.

O procedimento pode ser considerado quando existe uma alteração anatômica que contribui para a obstrução e pode ser tratada cirurgicamente. Também pode ser considerada para pessoas que não conseguem se adaptar ao CPAP ou que permanecem com sintomas ou doença residual apesar do tratamento adequado.

Grau da apneia e impacto na saúde

Um dos principais parâmetros avaliados é o índice de apneia e hipopneia (IAH), que indica o número médio de eventos respiratórios por hora de sono.

Em adultos, os valores são classificados, de forma geral, como:

  • Leve: 5 a 14 eventos por hora;
  • Moderada: 15 a 29 eventos por hora;
  • Grave: 30 ou mais eventos por hora.

O IAH não deve ser analisado isoladamente. Sintomas, níveis de oxigênio, doenças associadas e características anatômicas também são considerados na definição do tratamento.

Quando o CPAP não é bem tolerado?

O CPAP fornece pressão positiva contínua para manter as vias aéreas abertas durante o sono e é uma das principais opções terapêuticas para a apneia obstrutiva do sono. Entretanto, algumas pessoas apresentam dificuldade de adaptação ao aparelho, à máscara ou ao uso contínuo durante a noite.

Antes de considerar uma cirurgia por dificuldade de adesão, é importante investigar as causas do problema e avaliar possíveis ajustes no equipamento ou na estratégia de tratamento.

Quando essas medidas não são suficientes, a avaliação cirúrgica pode ser discutida em pacientes selecionados.

Quais alterações anatômicas podem favorecer a obstrução?

Entre as características que podem contribuir para o estreitamento das vias aéreas estão desvio de septo, aumento dos cornetos, amígdalas aumentadas, alterações no palato e alterações na posição da mandíbula ou da maxila.

Identificar onde e como ocorre o colapso é importante para escolher o procedimento mais adequado.

Quais exames podem ser necessários antes da cirurgia? 

A avaliação pré-operatória busca confirmar o diagnóstico, determinar a gravidade da doença e investigar os fatores anatômicos envolvidos na obstrução.

Polissonografia

A polissonografia é um dos principais exames utilizados para diagnosticar a apneia do sono e avaliar sua gravidade. Durante o exame, são registrados dados como fluxo respiratório, esforço para respirar, oxigenação do sangue, frequência cardíaca e diferentes parâmetros relacionados ao sono.

O resultado ajuda a definir a gravidade da doença e deve ser interpretado junto com a avaliação clínica.

Avaliação das vias aéreas

A nasofibrolaringoscopia pode ser utilizada para examinar as estruturas internas do nariz, da faringe e da laringe, ajudando a identificar alterações que possam contribuir para a obstrução.

Em pacientes selecionados, pode ser indicada a endoscopia do sono induzido por sedação (DISE). O exame permite observar o comportamento das vias aéreas durante um estado semelhante ao sono e identificar os locais e padrões de colapso. Esse mapeamento pode auxiliar no planejamento da cirurgia.

Avaliação complementar

Dependendo das características do paciente, podem ser necessários exames de imagem ou avaliação de outras especialidades. Em pessoas com alterações importantes na posição da mandíbula ou da maxila, por exemplo, pode haver participação de profissionais da odontologia do sono ou da cirurgia bucomaxilofacial.

Cirurgia ou CPAP: como escolher?

A cirurgia e o CPAP não são necessariamente tratamentos excludentes. A escolha depende das características clínicas e anatômicas de cada paciente.

Como o CPAP atua?

O CPAP fornece pressão positiva contínua nas vias aéreas, evitando que elas se fechem durante o sono. Quando corretamente indicado e utilizado de forma consistente, é um tratamento muito eficaz para controlar a apneia obstrutiva do sono.

A dificuldade de adaptação, porém, pode limitar seu uso em algumas pessoas.

Quais são as vantagens da cirurgia?

A cirurgia atua diretamente sobre alterações anatômicas que contribuem para a obstrução. Em pacientes bem selecionados, pode reduzir os eventos respiratórios e melhorar sintomas como ronco e sonolência.

Entretanto, a cirurgia não garante a eliminação completa da apneia. Os resultados variam conforme o procedimento, o local do colapso, a gravidade da doença e as características individuais.

Como é tomada a decisão?

A escolha considera a anatomia das vias aéreas, o grau da apneia, os sintomas, as condições de saúde, os tratamentos já realizados e as preferências do paciente.

Em alguns casos, pode ser necessário combinar diferentes estratégias para tratar mais de um ponto de obstrução.

Quais são os principais tipos de cirurgia para apneia do sono?

O procedimento depende do local e do padrão de obstrução identificados na avaliação.

Cirurgias nasais e do palato

Quando alterações no nariz contribuem para a dificuldade respiratória, procedimentos como septoplastia e redução dos cornetos podem melhorar a passagem do ar nasal. Isoladamente, porém, essas cirurgias nem sempre são suficientes para controlar a apneia.

A uvulopalatofaringoplastia (UPFP) atua sobre estruturas do palato e da garganta para ampliar o espaço das vias aéreas. Sua indicação depende do padrão de obstrução identificado na avaliação.

Cirurgia das amígdalas e da base da língua

Quando as amígdalas estão aumentadas e representam um dos principais pontos de obstrução, a amigdalectomia pode ser uma opção de tratamento em pacientes selecionados.

Nos casos em que a obstrução está relacionada à base da língua, existem diferentes técnicas para reduzir ou reposicionar estruturas dessa região.

Avanço maxilomandibular

O avanço maxilomandibular é uma cirurgia mais complexa, indicada principalmente para pacientes selecionados com alterações ósseas que favorecem o estreitamento das vias aéreas.

O procedimento reposiciona a maxila e a mandíbula para a frente, ampliando o espaço das vias respiratórias. É uma opção com potencial de benefício em determinados perfis anatômicos, mas exige avaliação especializada e planejamento individualizado.

Quais são os riscos da cirurgia?

Como qualquer procedimento cirúrgico, as intervenções para tratamento da apneia do sono apresentam riscos, que variam conforme a técnica utilizada e as características do paciente.

O que esperar no pós-operatório?

Dor, inchaço, congestão nasal e desconforto para engolir podem ocorrer, especialmente após procedimentos realizados na garganta ou no palato.

A intensidade e a duração desses sintomas dependem da cirurgia. O médico orientará sobre alimentação, medicamentos, repouso e demais cuidados necessários durante a recuperação.

Cirurgia para apneia do sono: quando é indicada e como funciona

Quais complicações podem ocorrer?

Entre as possíveis complicações estão:

  • Sangramento;
  • Infecção;
  • Dor persistente;
  • Alterações temporárias na voz ou na deglutição;
  • Inchaço e obstrução nasal, dependendo do procedimento;
  • Persistência ou retorno da apneia.

A avaliação adequada, o planejamento cirúrgico e o acompanhamento médico são importantes para reduzir riscos e monitorar a evolução.

Como é a recuperação?

O período de recuperação varia conforme o procedimento realizado. Cirurgias nasais, por exemplo, têm evolução diferente das intervenções realizadas no palato, na língua ou nos ossos da face.

Atividades leves podem ser retomadas progressivamente, de acordo com a evolução e a orientação médica. Exercícios físicos e esforços mais intensos geralmente precisam ser suspensos por um período maior.

Quando os resultados podem ser avaliados?

A melhora de sintomas como ronco, sono fragmentado e sonolência pode ocorrer antes da recuperação completa. No entanto, sentir-se melhor não significa que a apneia tenha sido eliminada.

Por isso, após a recuperação, o médico pode indicar uma nova avaliação objetiva do sono, como a polissonografia, para verificar a resposta ao tratamento. O momento adequado depende do procedimento realizado e da avaliação da equipe responsável.

Perguntas frequentes sobre cirurgia para apneia do sono

A cirurgia cura definitivamente a apneia?

Não é possível garantir a eliminação definitiva da doença. Em pacientes bem selecionados, a cirurgia pode reduzir significativamente os eventos respiratórios e melhorar os sintomas, mas o resultado varia de acordo com a anatomia, a gravidade da apneia e o procedimento realizado.

É possível continuar usando CPAP após a cirurgia?

Sim. Alguns pacientes continuam utilizando o CPAP após o procedimento, enquanto outros podem reduzir ou até deixar de precisar do equipamento. Essa decisão deve ser baseada na avaliação médica e, quando indicada, em uma nova avaliação objetiva do sono.

Existe idade limite para fazer a cirurgia?

Não existe uma idade única que determine quem pode ou não ser operado. A indicação considera as condições clínicas, as doenças associadas, o risco anestésico e os benefícios esperados com o procedimento.

Os convênios cobrem a cirurgia?

A cobertura depende do procedimento, da indicação médica e das regras do plano de saúde. É necessário consultar a operadora para confirmar as condições de autorização e cobertura.

Avaliação especializada para apneia do sono

A cirurgia para apneia do sono pode ser uma alternativa para pacientes selecionados, mas sua indicação depende de uma avaliação detalhada da doença e da anatomia das vias aéreas.

O Dr. Pedro Magliarelli, otorrinolaringologista formado pela USP e doutor em Distúrbios Respiratórios do Sono, realiza uma avaliação individualizada para identificar os fatores envolvidos na apneia e definir a estratégia de tratamento mais adequada para cada paciente.

Dr. Pedro Augusto Magliarelli Filho
Otorrinolaringologista
Registro CRM-SP 139773 | RQE 139773


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