Septoplastia: tudo sobre a cirurgia para desvio de septo
Postado em: 18/08/2026

Respirar mal pelo nariz pode atrapalhar o sono e a rotina. Quando essa dificuldade está relacionada a um desvio de septo e persiste apesar do tratamento clínico, a septoplastia pode ser indicada para melhorar a respiração nasal.
O septo nasal é formado por cartilagem e osso e divide o nariz em duas cavidades. Quando está desviado, pode reduzir a passagem do ar e provocar obstrução. Rinite, aumento dos cornetos e outras alterações também podem contribuir para os sintomas.
Neste conteúdo, você vai entender quando a septoplastia é recomendada, como é realizada, como funciona a recuperação e quais são os possíveis riscos.
Quando a septoplastia é indicada?
A indicação da septoplastia é individualizada. Ter um desvio de septo não significa, por si só, que seja necessário realizar a cirurgia. O procedimento pode ser considerado quando a alteração anatômica compromete a passagem do ar, provoca obstrução nasal persistente e os sintomas não melhoram de forma satisfatória com o tratamento clínico.
Quais sintomas podem estar relacionados ao desvio de septo?
Entre as manifestações que podem levar à investigação estão:
- Obstrução nasal persistente em um ou nos dois lados;
- Respiração pela boca, especialmente durante o sono;
- Ronco associado à dificuldade para respirar pelo nariz;
- Sangramento nasal recorrente, quando relacionado à alteração anatômica;
- Dificuldade para praticar atividades físicas por causa da obstrução nasal.
Nem toda dificuldade para respirar pelo nariz é causada pelo desvio. Rinite, aumento dos cornetos, pólipos e outras alterações podem contribuir para os sintomas. Por isso, a causa da obstrução deve ser investigada antes da indicação cirúrgica.
O tratamento clínico pode ser suficiente?
Medicamentos, como corticoides nasais, antialérgicos e lavagens nasais com soro fisiológico, podem ajudar a controlar a inflamação da mucosa, especialmente em pessoas com rinite. No entanto, esses recursos não corrigem a alteração estrutural do septo.
Quando o desvio é o principal responsável pela dificuldade respiratória e o tratamento clínico não proporciona melhora suficiente, a cirurgia pode ser considerada. A decisão não depende apenas do grau do desvio observado nos exames, mas da relação entre a anatomia nasal e os sintomas do paciente.
Como é feita a septoplastia?
A septoplastia é realizada, em geral, por dentro do nariz, sem cortes externos. O cirurgião acessa o septo pela mucosa nasal e remodela ou remove cuidadosamente as áreas de cartilagem e osso que estão desviadas, preservando as estruturas necessárias para a sustentação nasal.
Após a correção, o septo é reposicionado para ampliar o espaço disponível para a passagem do ar. A técnica varia conforme a localização e a extensão do desvio e pode ser associada a outros procedimentos, quando necessário.
A cirurgia costuma durar cerca de uma a duas horas, mas o tempo pode variar de acordo com a complexidade do caso.
Qual anestesia é utilizada?
Na maioria dos casos, a septoplastia é realizada sob anestesia geral. Em situações selecionadas, outras técnicas anestésicas podem ser utilizadas.
A escolha depende das características da cirurgia, das condições clínicas do paciente e da avaliação do anestesiologista e do cirurgião.
É preciso usar tampão ou splint nasal?
Nem toda septoplastia exige tampão nasal. Dependendo da técnica empregada e das características do caso, o cirurgião pode optar por não usar nenhum dispositivo ou colocar splints internos de silicone para auxiliar na estabilização e na cicatrização do septo.
Quando utilizados, esses dispositivos permanecem por um período determinado pelo cirurgião e podem provocar sensação de nariz obstruído enquanto estão posicionados.
Quais são os riscos da septoplastia?
A septoplastia é considerada um procedimento geralmente seguro, mas, como qualquer cirurgia, pode apresentar complicações.
Entre os possíveis eventos estão:
- Sangramento nasal, especialmente nos primeiros dias após o procedimento;
- Dor ou desconforto, geralmente controlados com medicamentos prescritos;
- Edema e obstrução nasal temporária durante a cicatrização;
- Infecção;
- Crostas ou aderências dentro do nariz;
- Perfuração do septo nasal;
- Persistência ou retorno da obstrução;
- Alterações na forma externa do nariz, que são incomuns, mas podem ocorrer em situações específicas.
A ocorrência dessas complicações varia conforme a técnica cirúrgica, as características anatômicas e a evolução de cada paciente.
Como é a recuperação da septoplastia?
Nos primeiros dias, é comum apresentar nariz entupido, secreção com pequenas quantidades de sangue, crostas e algum desconforto. A obstrução pode persistir por algumas semanas devido ao inchaço e ao processo de cicatrização.
Os cuidados variam conforme a técnica realizada, mas podem incluir repouso relativo, higiene nasal e lavagens com soro fisiológico, quando prescritas pelo médico.
Também é importante evitar assoar o nariz e atividades que aumentem o risco de sangramento pelo período determinado pela equipe responsável.
Quando é possível voltar ao trabalho?
O período de afastamento depende do tipo de atividade profissional e da recuperação de cada pessoa. Em trabalhos administrativos, o retorno pode ocorrer após alguns dias ou em cerca de uma a duas semanas, conforme a evolução e a orientação médica.
Atividades físicas intensas e esportes de contato costumam exigir um período maior de restrição, principalmente pelo risco de sangramento ou trauma na região nasal.
Quando o resultado aparece?
A melhora da respiração ocorre de forma progressiva. Nas primeiras semanas, o inchaço interno pode manter o nariz parcialmente obstruído. Conforme a mucosa cicatriza e o edema diminui, a passagem do ar tende a melhorar.
A estabilização do resultado varia entre os pacientes e pode levar de algumas semanas a alguns meses.
Quando a turbinoplastia pode ser associada à septoplastia?
O desvio de septo não é a única causa possível de obstrução nasal. Os cornetos nasais são estruturas dentro do nariz que ajudam a aquecer, umidificar e filtrar o ar.
Quando aumentam de volume, podem dificultar a passagem do ar, especialmente em pessoas com rinite ou outras alterações nasais. A turbinoplastia é a cirurgia que reduz o volume dos cornetos para ampliar esse espaço.
Quando há aumento dos cornetos associado ao desvio de septo, o médico pode recomendar os dois procedimentos. A decisão depende da anatomia nasal e dos sintomas.
Como é feita a avaliação antes da septoplastia?
Antes de indicar a cirurgia, o otorrinolaringologista avalia os sintomas, o histórico clínico e as estruturas do nariz. O exame físico permite identificar o desvio e verificar a presença de outras alterações que possam contribuir para a obstrução.
A videoendoscopia nasal pode ser utilizada para examinar com mais detalhes as estruturas internas, principalmente quando é necessário avaliar regiões que não podem ser observadas adequadamente no exame convencional.
Em alguns casos, exames de imagem ou outras avaliações complementares podem ser solicitados de acordo com a suspeita clínica.
O objetivo é identificar os fatores envolvidos na dificuldade respiratória e definir se a septoplastia, isoladamente ou associada a outro procedimento, é a opção mais adequada.
FAQ: perguntas frequentes sobre septoplastia
Septoplastia muda a estética do nariz?
A septoplastia é uma cirurgia funcional e, quando realizada isoladamente, geralmente não tem como objetivo modificar a aparência externa do nariz. Quando existe necessidade de alterar o formato nasal, pode ser considerada uma cirurgia associada, como a rinoplastia.
O resultado da cirurgia é definitivo?
O resultado tende a ser duradouro. Entretanto, alterações podem ocorrer ao longo do tempo, especialmente após traumas ou em situações relacionadas à cicatrização. Em alguns casos, pode persistir algum grau de obstrução mesmo após a cirurgia.
É possível fazer septoplastia pelo convênio?
A cobertura depende do plano de saúde e da existência de indicação médica. Quando o procedimento é realizado por necessidade funcional, pode haver cobertura conforme as regras da operadora e do contrato.
A septoplastia melhora o ronco?
Pode ajudar quando a obstrução nasal contribui para o ronco, mas não significa que a cirurgia vá eliminar o problema. O ronco pode ter diferentes causas e, quando existe suspeita de apneia obstrutiva do sono, é necessária uma avaliação específica.
Avaliação especializada para septoplastia
A dificuldade persistente para respirar pelo nariz pode interferir no sono, nas atividades diárias e na qualidade de vida. Uma avaliação com um otorrinolaringologista permite identificar as possíveis causas da obstrução e definir a abordagem mais adequada para cada paciente.
O Dr. Pedro Magliarelli, otorrinolaringologista formado pela USP e doutor em Distúrbios Respiratórios do Sono, realiza avaliação individualizada das alterações nasais, incluindo o desvio de septo, para definir a abordagem mais adequada em cada caso.
Dr. Pedro Augusto Magliarelli Filho
Otorrinolaringologista
Registro CRM-SP 139773 | RQE 139773