Diferença entre labirintite e VPPB: como identificar cada uma
Postado em: 19/05/2026

Você acorda de manhã, vira a cabeça para pegar o celular e o quarto gira. Ou então passa dias sentindo o chão se mover, sem conseguir trabalhar direito. Em ambos os casos, a primeira palavra que vem à cabeça costuma ser a mesma: labirintite. Mas será que é sempre isso?
A tontura é um sintoma, não um diagnóstico. E por trás dela podem estar condições bem diferentes — com causas, características e tratamentos distintos. Duas das mais comuns são a labirintite e a VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna), frequentemente confundidas por pacientes e até subestimadas no dia a dia.
Neste artigo, você vai entender o que diferencia cada uma, como o médico investiga a causa da tontura na prática clínica, quais exames podem ser necessários e quando vale buscar avaliação especializada.
O que é labirintite e o que é VPPB?
Para entender a diferença, é importante saber que o labirinto é uma estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e pela percepção de movimento. Quando algo afeta esse sistema, surge a vertigem — aquela sensação de que tudo ao redor está girando.
O que caracteriza a labirintite
A labirintite é uma inflamação do labirinto, geralmente desencadeada por uma infecção viral. O quadro costuma se instalar de forma mais intensa: a vertigem é contínua, pode durar horas ou dias, e frequentemente vem acompanhada de náuseas, vômitos e sensação de instabilidade. Em alguns casos, há também zumbido no ouvido ou redução temporária da audição.
O que é VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna)
Já a VPPB tem uma origem diferente: o deslocamento de pequenos cristais de carbonato de cálcio — chamados de otólitos — para canais do ouvido interno onde não deveriam estar. Quando a cabeça muda de posição, esses cristais se movimentam e enviam sinais errados ao cérebro, provocando crises breves de vertigem. Ao contrário da labirintite, a VPPB não causa perda auditiva e os episódios duram apenas alguns segundos.
Quais são os sintomas típicos de cada uma?
Como é a tontura na labirintite
Na labirintite, a vertigem tende a ser intensa e persistente. O paciente sente que o ambiente gira mesmo em repouso, e qualquer movimento da cabeça piora o quadro. Náuseas e vômitos são comuns. A duração pode variar de horas a dias, com melhora progressiva ao longo do tempo.
Como é a tontura na VPPB
Na VPPB, as crises são breves e posicionais: surgem ao deitar, ao virar na cama, ao olhar para cima ou ao se abaixar. Duram em média de 10 a 30 segundos e cessam espontaneamente. Entre as crises, o paciente pode se sentir completamente bem — o que é um dado importante para o diagnóstico.
Sinais de alerta que exigem avaliação imediata
Alguns sintomas associados à tontura merecem atenção urgente e não devem ser aguardados em casa:
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
- Dificuldade para falar ou engolir;
- Dor de cabeça súbita e muito intensa;
- Visão dupla ou perda de visão;
- Perda de consciência.
Nesses casos, o ideal é buscar pronto atendimento imediatamente, pois podem indicar causas neurológicas que exigem investigação urgente.
Como o médico diferencia labirintite de VPPB na consulta?
Importância da história clínica detalhada
O primeiro passo é uma escuta cuidadosa. O médico investiga: quanto tempo dura cada crise? Existe algum movimento que desencadeia? Há sintomas auditivos associados? Houve infecção viral recente? As crises são recorrentes? Essas respostas já orientam bastante o raciocínio clínico.
Exame físico e avaliação do nistagmo ocular
Durante o exame, o médico observa os movimentos oculares involuntários, chamados de nistagmo. O padrão desses movimentos — direção, duração, intensidade — ajuda a identificar se a origem é periférica (ouvido interno) ou central (sistema nervoso). Testes de equilíbrio fazem parte da avaliação.
Manobra de Dix-Hallpike
Para confirmar a VPPB, o médico realiza a manobra de Dix-Hallpike: o paciente é movido de uma posição sentada para deitada com a cabeça inclinada para o lado. Se surgir vertigem e nistagmo característicos durante a manobra, o diagnóstico de VPPB é confirmado. É um teste simples, realizado no próprio consultório, sem necessidade de equipamentos complexos.
Quais exames podem ser necessários para investigar tontura?
Exames auditivos e vestibulares
Nem todo paciente com tontura precisa de exames complementares. Quando há suspeita de comprometimento do ouvido interno — especialmente com sintomas auditivos — podem ser solicitados audiometria e exames otoneurológicos que avaliam o funcionamento do sistema vestibular de forma objetiva.
Quando exames de imagem são indicados
A ressonância magnética é reservada para casos atípicos: sintomas neurológicos associados, ausência de resposta ao tratamento esperado ou dúvida diagnóstica. Na maioria das apresentações clássicas de VPPB ou labirintite, o diagnóstico é essencialmente clínico.
Quais são as principais causas de tontura além de labirintite e VPPB?
Enxaqueca vestibular
Pessoas com histórico de enxaqueca podem apresentar crises recorrentes de vertigem mesmo sem dor de cabeça. A enxaqueca vestibular é uma causa subdiagnosticada e merece investigação quando há esse padrão.
Queda de pressão e causas metabólicas
Nem toda tontura é vertigem. A sensação de “cabeça vazia” ou de quase desmaio ao levantar rápido pode estar relacionada à queda de pressão arterial ou a alterações na glicemia. São causas diferentes, com abordagens diferentes.
Ansiedade e tontura funcional
O sistema de equilíbrio é altamente sensível ao estado emocional. A ansiedade pode desencadear ou perpetuar tontura — o que não significa que o sintoma seja “imaginação”. A tontura funcional é real, impacta a qualidade de vida e também tem tratamento.

Como é o tratamento da labirintite e da VPPB?
Tratamento da labirintite
O manejo da labirintite envolve controle dos sintomas, repouso relativo e acompanhamento médico. Na maioria dos casos de origem viral, o quadro melhora progressivamente ao longo de dias a semanas. O médico pode orientar medidas específicas conforme a evolução de cada paciente.
Tratamento da VPPB com manobras de reposicionamento
A VPPB tem um tratamento bastante eficaz: as manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley. Realizadas no consultório pelo especialista, essas técnicas reposicionam os cristais deslocados e costumam resolver as crises com alta taxa de sucesso quando bem indicadas. O alívio pode ocorrer já na primeira sessão.
Qual é o prognóstico e quando procurar um especialista?
O que esperar após o diagnóstico
A VPPB pode recorrer ao longo da vida, mas responde bem às manobras em cada episódio. Já a labirintite costuma melhorar progressivamente, embora alguns pacientes relatem sensação de instabilidade por algumas semanas após a fase aguda.
Situações que justificam avaliação especializada
Vale buscar avaliação com especialista quando:
- As crises de tontura são frequentes ou recorrentes;
- Há sintomas auditivos persistentes, como zumbido ou redução da audição;
- A tontura impacta o trabalho, o sono ou as atividades diárias;
- O diagnóstico ainda não foi esclarecido.
FAQ – Perguntas frequentes sobre labirintite, VPPB e tontura
Tontura ao virar na cama é sempre VPPB?
É um sinal sugestivo, mas não conclusivo. Outras condições também podem provocar tontura posicional. Apenas a avaliação clínica — incluindo a manobra de Dix-Hallpike — confirma o diagnóstico.
Labirintite pode causar perda de audição permanente?
Depende da causa e da gravidade do quadro. Na maioria dos casos virais, a audição se recupera. Por isso, a avaliação médica precoce é importante para monitorar a evolução.
VPPB pode voltar depois de tratada?
Sim. A recorrência é possível, especialmente em pessoas com fatores predisponentes. Manobras de reposicionamento costumam resolver os episódios subsequentes.
Posso fazer manobras em casa sem diagnóstico?
Não é recomendado. Realizar manobras sem diagnóstico correto pode não resolver o problema — e em alguns casos pode piorar. O ideal é sempre confirmar a origem com um especialista antes de iniciar qualquer exercício.
Avaliação especializada para tontura: segurança no diagnóstico faz diferença
Tontura recorrente não precisa ser aceita como parte da rotina. Quando a causa é identificada com precisão — seja labirintite, VPPB, enxaqueca vestibular ou outra origem — o tratamento se torna mais eficaz e direcionado.
Uma avaliação com otorrinolaringologista leva em conta toda a sua história clínica, realiza testes no consultório e, quando necessário, solicita exames complementares para confirmar o diagnóstico com segurança. Essa análise é o que diferencia um plano de cuidado realmente personalizado, diferente de um tratamento genérico.
Está com tontura ou crises de vertigem? Converse com um especialista para investigar a causa com segurança e definir o melhor caminho para o seu caso.
Dr. Pedro Augusto Magliarelli Filho
Otorrinolaringologista
Registro CRM-SP 139773 | RQE 139773