Otite em bebês e crianças: como identificar e tratar
Postado em: 12/01/2026

A otite é uma das doenças mais comuns na infância e está entre as principais causas de visitas ao consultório do otorrinolaringologista.
Por atingir uma região sensível e essencial para o desenvolvimento auditivo, ela exige diagnóstico preciso e tratamento adequado para evitar complicações futuras, como perda auditiva temporária ou permanente.
Muitos pais enfrentam dificuldade em reconhecer os primeiros sinais da otite, especialmente em bebês que ainda não conseguem expressar dor ou desconforto.
Conheça a seguir os sintomas mais comuns dessa condição e saiba quando buscar ajuda médica!
O que é a otite?
A otite é uma inflamação que acomete o ouvido, podendo afetar diferentes regiões da estrutura auditiva.
Ela é mais frequente em bebês e crianças pequenas porque a tuba auditiva, canal que liga o ouvido médio à garganta, é mais curta e horizontal nessa fase da vida, facilitando a passagem de secreções e germes.
Existem diferentes tipos de otite, sendo a otite média aguda a mais comum na infância. Ela ocorre geralmente após gripes, resfriados ou infecções respiratórias, quando o acúmulo de secreção e a inflamação bloqueiam a ventilação do ouvido médio.
A otite externa, também chamada de “ouvido de nadador”, é menos frequente e está relacionada ao contato excessivo com água ou lesões locais.
Como identificar a otite em bebês e crianças?
Os sintomas variam de acordo com a idade e o tipo de otite.
Otite em bebês
Em bebês, os sinais costumam ser sutis, pois eles ainda não conseguem expressar dor.
Entre os principais indícios estão choro constante e irritabilidade, especialmente ao deitar, febre, dificuldade para dormir e recusa para mamar ou se alimentar.
Alguns bebês também costumam levar as mãos aos ouvidos com frequência.
Otite em crianças
Em crianças maiores, a dor de ouvido é o sintoma mais característico. Pode haver febre, perda de apetite, tontura, secreção saindo do ouvido e sensação de ouvido tampado.
Em casos mais graves, pode ocorrer perda auditiva temporária.
A repetição desses quadros pode indicar uma otite média de repetição, exigindo acompanhamento especializado.
O que causa a otite em bebês e crianças?
A principal causa da otite é a infecção viral ou bacteriana, geralmente associada a doenças respiratórias, como gripes, sinusites e amigdalites.
Quando essas infecções causam inflamação na garganta e nas vias respiratórias, a secreção pode se acumular no ouvido médio, provocando infecção.
Outros fatores que aumentam o risco incluem histórico familiar de otite, exposição à fumaça do cigarro, uso prolongado de chupeta, alergias respiratórias e frequência a creches, onde o contato com vírus é mais intenso.
Mudanças bruscas de temperatura e refluxo gastroesofágico também podem contribuir.
Como tratar a otite em bebês e crianças?
O tratamento depende da causa e da gravidade da inflamação.
Nos casos leves, a otite pode se resolver com o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, além de observação médica.
Quando há suspeita de infecção bacteriana, o uso de antibióticos é indicado, sempre sob prescrição e acompanhamento do otorrinolaringologista.
Nos casos recorrentes, é fundamental investigar possíveis causas associadas, como alergias respiratórias, hipertrofia das adenoides ou amigdalites de repetição.
Em situações específicas, pode ser recomendada a timpanotomia com colocação de tubo de ventilação, um procedimento cirúrgico simples que auxilia na drenagem da secreção e ventilação adequada do ouvido médio.
Como prevenir a otite em bebês e crianças?
A prevenção envolve uma combinação de cuidados respiratórios e auditivos. Algumas dicas incluem:
- Manter as vacinas em dia, especialmente contra gripe e pneumococo: ajuda a reduzir o risco de infecções respiratórias;
- Evitar exposição à fumaça do cigarro;
- Controlar alergias;
- Não deixar o bebê deitado enquanto mama;
- Durante o banho ou momentos de lazer na piscina, deve-se evitar que entre água em excesso nos ouvidos das crianças.
Além disso, o acompanhamento regular com o pediatra e o otorrinolaringologista é essencial para detectar precocemente possíveis alterações auditivas e evitar complicações.
Dúvidas frequentes
1. A otite é contagiosa?
A otite em si não é contagiosa, mas as infecções respiratórias que a causam podem ser transmitidas entre crianças.
2. Toda otite precisa de antibiótico?
Nem sempre. O uso de antibióticos depende do tipo de infecção e deve ser indicado apenas após avaliação médica.
3. A otite pode causar surdez?
Sim, em casos graves ou repetitivos, pode ocorrer perda auditiva temporária ou permanente se não for tratada adequadamente.
4. É normal o ouvido vazar líquido durante a otite?
Sim, pode ocorrer saída de secreção quando há perfuração da membrana timpânica, exigindo avaliação médica imediata.
5. A dor de ouvido é sempre sinal de otite?
Não necessariamente. Outras condições, como dor de garganta ou problemas dentários, também podem causar dor reflexa no ouvido.
6. O uso de cotonete causa otite?
Sim, o uso incorreto de cotonetes pode machucar o canal auditivo e favorecer infecções.
7. Bebês que mamam deitados têm mais otite?
Sim, essa posição facilita o refluxo de leite para o ouvido médio, aumentando o risco de inflamação.
8. Otite pode voltar com frequência?
Sim, especialmente em crianças com alergias respiratórias ou aumento das adenoides.
9. É possível prevenir a otite com vacina?
As vacinas contra gripe e pneumococo ajudam a reduzir significativamente os casos de otite.
10. Quando procurar um otorrinolaringologista?
Quando a dor persistir por mais de dois dias, houver febre alta, secreção no ouvido ou episódios repetidos de otite.
Não deixe de buscar ajuda médica se você suspeita de otite em bebês e crianças.
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Dr. Pedro Augusto Magliarelli Filho
Otorrinolaringologista
Registro CRM-SP 139773 | RQE 139773